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15 de julho de 2026

Mobilidade e localização ganham peso nas escolhas imobiliárias das novas gerações

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Proximidade do trabalho, serviços acessíveis a pé e redução do tempo de deslocamento passam a influenciar a decisão entre imóveis maiores e regiões mais conectadas

A relação das novas gerações com a moradia está passando por mudanças. Para uma parcela dos jovens, a qualidade de vida já não está associada apenas ao tamanho do imóvel, mas também à localização, à mobilidade e ao tempo disponível para atividades pessoais.

O tema foi abordado em artigo publicado pela Exame, assinado por Fábio Tadeu Araújo, CEO da Brain Inteligência Estratégica. A análise aponta que apartamentos menores, localizados próximos ao trabalho, ao transporte público, ao comércio e a áreas de lazer, podem ser considerados mais atrativos do que imóveis maiores em regiões que exigem longos deslocamentos.

Nesse contexto, o tempo passa a integrar a avaliação sobre o custo da moradia. Além do valor de compra ou locação, entram na conta despesas com transporte, combustível, estacionamento e manutenção de veículos, além das horas consumidas diariamente no trânsito.

Bairros conectados e de uso misto

A mudança também amplia a valorização de bairros caminháveis e de uso misto, que reúnem habitação, trabalho, comércio, serviços e lazer. Nesses locais, a infraestrutura urbana funciona como uma extensão da própria residência, permitindo que parte das atividades cotidianas seja realizada sem grandes deslocamentos.

Segundo o artigo, pesquisas internacionais identificam entre integrantes das gerações Z e millennial uma disposição maior para pagar por imóveis situados em comunidades caminháveis e bem conectadas.

A tendência representa um ponto de atenção para o mercado imobiliário, que precisa acompanhar transformações no perfil das famílias, nos hábitos de consumo e nos critérios utilizados para definir o que significa morar bem.

Aluguel como acesso à cidade

A análise também aborda a relação dos jovens com a locação. Em regiões com boa infraestrutura, oportunidades de trabalho e serviços, o preço de compra dos imóveis pode dificultar o acesso à propriedade, mesmo entre pessoas com renda suficiente para alugar nessas localidades.

Nessas situações, o aluguel deixa de representar apenas uma etapa anterior à compra e passa a ser uma alternativa para preservar a mobilidade, reduzir deslocamentos e permanecer próximo das atividades que fazem parte da rotina.

Isso não significa, necessariamente, o abandono do interesse pela casa própria. O cenário revela uma escolha entre diferentes prioridades, como metragem, localização, formação de patrimônio e qualidade de vida no presente.

Oferta habitacional permanece como desafio

A preferência por áreas mais conectadas também impõe desafios às cidades. A valorização dessas regiões pode elevar os preços de venda e locação, dificultando a permanência dos próprios moradores que buscam proximidade e acesso à infraestrutura urbana.

A ampliação da oferta habitacional em áreas dotadas de transporte, emprego e serviços é, portanto, uma questão relevante para atender às mudanças de comportamento da população e reduzir a pressão sobre o custo da moradia.

Para o setor imobiliário, compreender essas transformações é fundamental para desenvolver empreendimentos alinhados às novas configurações familiares e às diferentes formas de utilização da cidade.

Fonte: Exame, artigo “Vida Imobiliária: A geração que prefere mobilidade a grandes apartamentos”, de Fábio Tadeu Araújo, publicado em 12 de julho de 2026.

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