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Mobilidade e localização ganham peso nas escolhas imobiliárias das novas gerações
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Proximidade do trabalho, serviços acessíveis a pé e redução do tempo de deslocamento passam a influenciar a decisão entre imóveis maiores e regiões mais conectadas
A relação das novas gerações com a moradia está passando por
mudanças. Para uma parcela dos jovens, a qualidade de vida já não está
associada apenas ao tamanho do imóvel, mas também à localização, à mobilidade e
ao tempo disponível para atividades pessoais.
O tema foi abordado em artigo publicado pela Exame, assinado
por Fábio Tadeu Araújo, CEO da Brain Inteligência Estratégica. A análise aponta
que apartamentos menores, localizados próximos ao trabalho, ao transporte
público, ao comércio e a áreas de lazer, podem ser considerados mais atrativos
do que imóveis maiores em regiões que exigem longos deslocamentos.
Nesse contexto, o tempo passa a integrar a avaliação sobre o
custo da moradia. Além do valor de compra ou locação, entram na conta despesas
com transporte, combustível, estacionamento e manutenção de veículos, além das
horas consumidas diariamente no trânsito.
Bairros conectados e de uso misto
A mudança também amplia a valorização de bairros caminháveis
e de uso misto, que reúnem habitação, trabalho, comércio, serviços e lazer.
Nesses locais, a infraestrutura urbana funciona como uma extensão da própria
residência, permitindo que parte das atividades cotidianas seja realizada sem
grandes deslocamentos.
Segundo o artigo, pesquisas internacionais identificam entre
integrantes das gerações Z e millennial uma disposição maior para pagar por
imóveis situados em comunidades caminháveis e bem conectadas.
A tendência representa um ponto de atenção para o mercado
imobiliário, que precisa acompanhar transformações no perfil das famílias, nos
hábitos de consumo e nos critérios utilizados para definir o que significa
morar bem.
Aluguel como acesso à cidade
A análise também aborda a relação dos jovens com a locação.
Em regiões com boa infraestrutura, oportunidades de trabalho e serviços, o
preço de compra dos imóveis pode dificultar o acesso à propriedade, mesmo entre
pessoas com renda suficiente para alugar nessas localidades.
Nessas situações, o aluguel deixa de representar apenas uma
etapa anterior à compra e passa a ser uma alternativa para preservar a
mobilidade, reduzir deslocamentos e permanecer próximo das atividades que fazem
parte da rotina.
Isso não significa, necessariamente, o abandono do interesse
pela casa própria. O cenário revela uma escolha entre diferentes prioridades,
como metragem, localização, formação de patrimônio e qualidade de vida no
presente.
Oferta habitacional permanece como desafio
A preferência por áreas mais conectadas também impõe
desafios às cidades. A valorização dessas regiões pode elevar os preços de
venda e locação, dificultando a permanência dos próprios moradores que buscam
proximidade e acesso à infraestrutura urbana.
A ampliação da oferta habitacional em áreas dotadas de
transporte, emprego e serviços é, portanto, uma questão relevante para atender
às mudanças de comportamento da população e reduzir a pressão sobre o custo da
moradia.
Para o setor imobiliário, compreender essas transformações é
fundamental para desenvolver empreendimentos alinhados às novas configurações
familiares e às diferentes formas de utilização da cidade.
Fonte: Exame, artigo “Vida Imobiliária: A geração que prefere mobilidade a grandes apartamentos”, de Fábio Tadeu Araújo, publicado em
12 de julho de 2026.
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