ABRAINC NEWS
4 de maio de 2026
Uso do FGTS no Desenrola 2 pode custar até 107 mil empregos e 46 mil moradias populares
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São Paulo, 4 de maio de 2026 – A Associação Brasileira de Incorporadoras (ABRAINC) manifesta preocupação com a proposta de liberação de recursos do FGTS para o programa Desenrola 2. Para a entidade, a utilização do Fundo para quitar dívidas de consumo ataca apenas o sintoma da inadimplência e compromete a sustentabilidade financeira das famílias a longo prazo.
De acordo com uma análise da Associação, é fundamental avaliar os diferentes cenários de impacto. Considerando o anúncio oficial, as estimativas de saques variam entre R$ 4,5 bilhões (Estimativa Base) e R$ 8,2 bilhões (Limite Máximo Global).
Para a ABRAINC, a retirada desses recursos do sistema habitacional gera um impacto direto na economia. Na projeção de impacto do programa elaborada pela entidade com base nos novos números, o Brasil pode registrar perdas severas, dependendo do volume de recursos liberados:
- Geração de empregos: entre 59 mil e 107 mil postos de trabalho (diretos, indiretos e induzidos) deixariam de ser criados.
- Moradias populares: entre 25 mil e 46 mil unidades habitacionais deixariam de ser entregues às famílias.
- Arrecadação de impostos: o Estado deixaria de arrecadar entre R$ 1,4 bilhão e R$ 2,4 bilhões.
- Impacto no PIB: a perda de investimento pode representar uma redução de até R$ 10,7 bilhões no PIB
“Estamos trocando a reserva de uma vida, destinada à conquista da casa própria, por um pagamento imediato de dívidas que tendem a reaparecer”, afirma Luiz França, presidente da ABRAINC. A entidade alerta que o uso do FGTS para este fim dificilmente resolverá o problema estrutural, visto que a grande maioria das dívidas concentra-se no cartão de crédito. “O dinheiro, por si só, não resolve o problema. Utilizar o Fundo, que é um ativo de longo prazo, para quitar juros rotativos de curto prazo é um paliativo que já se mostrou ineficaz em ciclos anteriores, sem alterar a solvência futura do trabalhador”, reforça França.
A ABRAINC ressalta ainda que, nos últimos nove anos, mais de R$ 140 bilhões foram drenados do Fundo para fins de consumo e quitação de dívidas de curto prazo. Para a Associação, preservar o saldo para a finalidade habitacional é a forma mais eficiente de garantir o crescimento sustentável, a redução do déficit habitacional e a segurança patrimonial do trabalhador.
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Loures Consultoria
imprensa.abrainc@loures.com.br
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