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Novas restrições no Campo de Marte podem gerar prejuízo de R$ 25 bilhões para São Paulo em dez anos
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Estudo da ABRAINC em parceria com o Secovi aponta que mudanças na operação do aeroporto impactam 90% da produção imobiliária da capital e conflitam com diretrizes do Plano Diretor
Uma mudança nas normas de operação do Aeroporto Campo
de Marte, que prevê a transição para voos por instrumentos (IFR), deve impor
severas restrições ao desenvolvimento urbano de São Paulo. Segundo estudo
técnico da ABRAINC (Associação Brasileira de Incorporadoras), em parceria com o
Secovi, as novas superfícies de restrição do espaço aéreo podem atingir cerca
de 90% da produção imobiliária paulistana, exigindo novas anuências federais
para empreendimentos localizados em um raio de até 20 km do aeródromo.
O impacto
econômico imediato é alarmante. A inserção de um novo rito de aprovação junto
ao Comando da Aeronáutica e à FAB (Força Aérea Brasileira) deve elevar o ciclo
de produção em pelo menos três meses. Esse atraso gera um custo de carregamento
financeiro estimado entre R$ 2,4 bilhões e R$ 2,7 bilhões por ano para o setor.
Em uma projeção decenal (2026-2035), o desperdício para a economia paulistana,
apenas com juros de capital imobilizado por entraves burocráticos, pode somar
R$ 25 bilhões.
"Estamos diante de um cenário
de profunda insegurança jurídica e regulatória. Ao sobrepor restrições
aeronáuticas a áreas estratégicas já consolidadas pelo Plano Diretor, corremos
o risco de inviabilizar projetos essenciais de habitação e infraestrutura. Esse
custo adicional de bilhões de reais não afeta apenas as empresas, mas drena
recursos que deveriam ser reinvestidos na cidade e na geração de
empregos", afirma Luiz França, presidente da ABRAINC.
O
levantamento destaca que as restrições são desproporcionalmente prejudiciais à
habitação popular, como o programa Minha Casa, Minha Vida. Com margens
estreitas e preços de venda limitados, o aumento do custo financeiro — que pode
representar a perda de quase um quarto do lucro líquido em projetos de pequeno
porte — tende a cancelar lançamentos voltados às famílias de baixa renda.
Estima-se que 137,7 mil unidades habitacionais previstas para 2026 já estejam
sob esse novo rito.
Urbanisticamente,
o estudo mostra que as novas "superfícies de proteção" avançam sobre
8% da zona urbana do município, conflitando com projetos estratégicos como o
PIU Setor Central (92% da área afetada), a OUC Água Branca (100% da área) e o
Arco Tietê (73% da área). A limitação de altura imposta pela Aeronáutica impede
que muitos terrenos utilizem seu potencial construtivo máximo previsto em lei,
tornando inócuos os incentivos municipais para o adensamento próximo aos eixos
de transporte público.
O cenário
projeta um déficit de oferta acumulado de 110 mil unidades habitacionais e a
não geração de mais de 570 mil empregos nos próximos dez anos. Além da crise na
construção, o estudo alerta para um efeito cascata que inclui a perda de
arrecadação de tributos como ITBI e ISS, além do desaquecimento de toda a
cadeia industrial de insumos.
"Nosso
objetivo com este estudo é dar luz técnica aos impactos severos dessa medida.
Não se trata de ser contra a operação do aeroporto, mas de buscar uma
conciliação que não sacrifique o futuro de São Paulo e o direito à moradia de
milhares de paulistanos. Precisamos de critérios de análise que respeitem a
realidade de uma metrópole que já é verticalizada e que não pode ter seu
crescimento paralisado por uma burocracia desproporcional", conclui o
presidente da ABRAINC.
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Loures Consultoria
imprensa.abrainc@loures.com.br
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