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Brasil, a bola da vez

O país pode usufruir de uma posição de destaque no cenário internacional, uma vez
concretizadas as reformas almejadas pelo governo Bolsonaro

No mês passado, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou o resultado do crescimento do PIB brasileiro em relação a 2017 que foi da ordem de 1,1% ou nominalmente R$ 6,8 trilhões para o ano de 2018.
Número muito abaixo das expectativas, mas que ainda assim trouxe ao mercado e aos analistas duas conclusões: a primeira é que apesar de aquém do esperado, algum crescimento ainda que pequeno demonstra que estamos em bom caminho depois da profunda crise econômica pela qual passamos nos últimos anos. A segunda é a de que se o congresso promover as reformas propostas, poderíamos obter um crescimento expressivo nos próximos anos já que com tantos problemas de ineficiência na gestão pública, ainda assim conseguimos crescer.

Na mais impreterível das reformas, a do INSS, estima-se uma economia de até R$ 1 trilhão, que representa hoje 53,4% do orçamento da União. Recursos esses que poderiam ser redirecionados a rubricas como saúde, educação, transporte e segurança. É dizer que um PIB inteiro como o da Noruega poderia ser investido dentro do próprio Brasil.

O Brasil pode se tornar um ambiente de negócios favorável

Para se ter uma ideia do que este programa de reformas pode representar, um estudo feito em 2018 pelo departamento de pesquisa econômica do BNDES concluiu que se o governo der maior abertura a economia, mantiver obediência ao teto de gastos e promover a realização de uma reforma da Previdência Social em 2019, o produto efetivo poderia crescer a uma média de 2,9% entre 2018 e 2023, progressivamente. Nesse cenário, o PIB per capita cresceria a uma taxa média de 2,3%, e o desemprego cairia de uma média de 12,7% para uma média de 8,2% até 2023. No cenário adotado, o consumo das famílias, nos seis anos compreendidos entre 2018 e 2023, poderia ter uma expansão real média de 2,8% ao ano.

Não seria exagero dizer que a reforma da Previdência e outras reformas estruturais como a tributária e a desvinculação das receitas da União poderiam resultar na reinvenção da economia nacional. Seria repor a locomotiva do desenvolvimento nos trilhos que durante 30 anos, de 1948 a 1981, fez do Brasil um dos países que mais cresceram no mundo, alcançando uma média de 7% ao ano, o que significa que o tamanho da economia brasileira dobrava a cada 10 anos. Este mesmo Brasil que possuía mais que o dobro do PIB per capta dos sul-coreanos em 1960, e que hoje possui menos de um terço dos mesmos sul-coreanos. Tudo isso causado pelas distorções na distribuição da renda e pela má gestão da máquina pública que não nos permitiu crescer.

Mas se a ideia é reformar a máquina pública, sabe-se que as chances da primeira e mais importante reforma, a da Previdência, são boas. Uma pesquisa feita pelo Banco BTG mostra que a percepção da necessidade de aprovação desta medida é defendida por 82% dos deputados e 89% dos senadores. O apoio chega a ser de 100% em dois partidos, considerando a soma das duas siglas: PP e PSDB. O PSL, do presidente Bolsonaro, aparece com 92%. O PT, da oposição, é o que menos concorda, com 37% de parlamentares favoráveis.
A mudança da idade mínima, considerada o ponto mais importante da reforma, ainda encontra a maior rejeição, mas, contudo, entende-se factível a partir de ajustes que deverão ser negociados no Congresso.

Muitos brasileiros cresceram ouvindo seus avós e pais dizendo que o Brasil era o país do futuro. Quem sabe teríamos a oportunidade de ver finalmente o futuro virando presente, e o país poderia até usufruir posição de destaque no cenário internacional uma vez concretizadas estas reformas, até porque vivemos um bom momento nesta atual conjuntura macroeconômica em que EUA e China travam intensa batalha comercial, o que, de certa forma, converge em favor da pauta nacional por favorecer as exportações brasileiras, ainda que pese uma possível trégua.

Não há milagre, mas se aproveitarmos esta janela de oportunidades, o Brasil pode se tornar um ambiente de negócios favorável, e representar uma miríade de oportunidades para multinacionais e investidores, em especial na indústria de transformação, infraestrutura, serviços financeiros, construção civil, petróleo e gás.

Apenas para colocar em perspectiva dois dos segmentos mencionados, o da agricultura representa pouco mais de 20% do PIB nacional, e possui lavouras em apenas 7,6% de todo território brasileiro, é um mercado cujos números falam por si; já o da construção civil, de acordo com a Abrainc e FGV, há 7,8 milhões de unidades residenciais a serem construídas para suprimir a demanda existente. Há muito o que ser feito por aqui e em benefício desse povo maravilhoso. As chances existem, e quem sabe realmente o Brasil deixe de ser o país do futuro para tornar-se a bola da vez.

Alexandre Nigri é CEO do Grupo Maxinvest.

Fonte: Gazeta do Povo