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Setor imobiliário mantém planos de expansão, mesmo com alta de juros no País

Construtoras e incorporadoras fecharam 2020 com alta de lançamentos, vendas, faturamento e lucro e, por ora, não pretendem rever suas metas; expectativa do setor é que, neste ano, restrições durem menos

O acirramento da pandemia e seus impactos sobre a economia brasileira no começo do ano adicionaram doses de incerteza e cautela nos planos das construtoras, mas não suspenderam a confiança de que o mercado imobiliário terá um desempenho saudável em 2021.

Essas empresas fecharam 2020 com alta de lançamentos, vendas, faturamento e lucro e, por ora, nenhuma empresa admitiu rever suas metas de lançamentos. A expectativa é que as vendas de imóveis se recuperem rapidamente após a reabertura dos estandes, assim como aconteceu no ano passado.

O principal argumento continua sendo os juros baixos do crédito, que estimulam a compra de imóveis como moradias ou investimentos. Mesmo com o início do ciclo de alta da Selic, os juros do financiamento devem permanecer abaixo da média histórica ao longo deste ano.

Hoje, essa taxa média é de 7%, de acordo com dados do Banco Central, mas pode cair para 5% dependendo da linha da instituição financeira. Já entre 2011 e 2019, a taxa média ficou entre 8% e 10% ao ano.

Outro ponto é que a queda nas vendas são amortecidas pelos canais digitais, que permitem desde a visualizações das plantas online até a assinatura de contratos. Já no começo da pandemia, há um ano, esse ainda não era um mecanismo amplamente adotado por incorporadoras e bancos.

Por fim, a expectativa é que a restrição para o funcionamento do comércio seja mais curta do que em 2020, uma vez que a vacinação em massa foi iniciada, ainda que a passos lentos.

O que dizem as empresas

“O cenário é incerto. Estamos acompanhando dia a dia a situação da pandemia. Mas as metas internas estão mantidas”, afirmou o diretor de relações com investidores da incorporadora Cyrela Brazil Realty, Miguel Mickelberg. Segundo ele, as vendas foram “muito boas” em janeiro e fevereiro, o que reforça a expectativa de que o desempenho também será forte quando os estandes forem liberados.

A Tecnisa também avisou que está confiante de que será capaz de cumprir a sua meta de lançamentos avaliados entre R$ 1,2 bilhão e R$ 1,5 bilhão no biênio de 2020-2021. “A visitação no site está potente. Tão logo a cidade permita a reabertura dos estandes, acredito que isso será transformado em venda”, disse o diretor de relações com investidores, Flávio Vidigal.

O presidente da Cury, Fabio Cury, classificou os juros do crédito imobiliário como “bastante benéficos”, mesmo com potenciais altas, e disse ver pela frente um “ano promissor” para todo o mercado. O executivo citou também que há familiaridade de corretores e compradores com os canais digitais, o que alivia o impacto dos estandes fechados. “Não é a mesma coisa vender nessa maneira, mas temos um sistema de vendas para encarar o lockdown”, explicou.

O pensamento é semelhante na MRV, maior construtora residencial do País. “Apesar da confusão de curto prazo, estou muito otimista com 2021. Acredito que teremos um ano ainda melhor e ainda mais forte para a companhia, afirmou o copresidente da MRV, Eduardo Fischer. Segundo o executivo, a demanda e as vendas continuam fortes neste começo de ano.

O presidente da Even, Leandro Melnick, admitiu que o momento é de pouca visibilidade sobre o ritmo de lançamentos devido à crise sanitária, mas afirmou que os planos estão de pé, ao menos por ora. “Os últimos lançamentos foram bem absorvidos pelo mercado”, comentou. “Esperamos uma janela de restrição por causa do covid mais curta do que a ocorrida no ano passado. Se a onda for rápida, estamos bem estruturados para lançar”, acrescentou.

Já a Eztec adotou um tom um pouco mais moderado. A incorporadora ainda não abriu novos estandes neste ano, pois viu seu estoque crescer após os lançamentos no fim do ano passado. Agora, quer acompanhar a liquidez desse estoque e o comportamento da economia brasileira antes de avançar.

“O cumprimento da meta não depende da empresa, que tem os terrenos, os projetos, os estandes”, enfatizou o presidente, Flávio Zarzur. “Estaremos preparados para lançar volumes muito altos no segundo trimestre”, disse “E se entendemos que vacinação melhorou um pouquinho, podemos acelerar”.

Temporada de alta

As incorporadoras listadas na Bolsa brasileira (B3) tiveram lucro líquido consolidado de R$ 905 milhões entre outubro e dezembro de 2020, uma expansão de 36% em relação ao mesmo período de 2019. Com mais lançamentos e vendas, as empresas ampliaram a receita e diluíram os custos, com melhora da margem, de modo geral. O aumento dos custos dos materiais, entretanto, pode pressionar essa margem nos próximos meses.

O endividamento controlado também aliviou despesas com juros em relação aos trimestres anteriores. Já algumas empresas que oferecem financiamento aos seus clientes, como Cyrela e Eztec, por exemplo, reportaram ganhos pelo reajuste dos contratos de empréstimo pela inflação.

O Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) conjunto alcançou R$ 1,150 bilhão, aumento de 29%. E a receita líquida totalizou R$ 7 bilhões, expansão de 19%.

O levantamento foi feito pelo Estadão/Broadcast a partir dos balanços divulgados por 16 companhias – Cyrela, Cury, Direcional, Even, Eztec, Gafisa, Helbor, Lavvi, Melnick, Mitre, Moura Dubeux, MRV, Plano & Plano, RNI, Tecnisa e Trisul.

Publicado no Estadão


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