ESG

Construção adota alternativas para reduzir danos ambientais

Fabricantes de concreto e incorporadoras buscam soluções para mitigar o impacto do produto, que responde por 5% das emissões globais de carbono, ao meio ambiente

Tecnologia e inovação têm sido fundamentais para mitigar impactos negativos gerados no meio ambiente por vários setores da economia — e não é diferente na construção civil, que tem no cimento uma de suas maiores preocupações, em função dos 5% das emissões globais de carbono que essa indústria representa e da difícil substituição.

Em resposta a essa questão, a Engemix — unidade de concreto da Votorantim Cimentos — lançou em 2020 a linha de concreto Spectra, que reduz em até 20% as emissões de carbono e permite que um único tipo de concreto seja utilizado em toda a estrutura da obra.

“Seu uso também ajuda a economizar aço e madeira utilizada nas fôrmas e ainda tem a vantagem de durar cerca de 20 anos a mais que outros tipos de concretos exigindo custo menor de manutenção ao longo da vida da edificação”, afirma Mauricio Bianchini, gerente de Desenvolvimento Técnico de Mercado da Votorantim Cimentos.

Uma das empresas que adotaram o Spectra na sua fase-piloto foi a Tegra Incorporadora. Mediada por seu programa de inovação, a empresa identificou várias possibilidades de uso do concreto de traço único, que pode ser utilizado em diversas etapas da obra. “O Spectra proporciona um ganho na logística e nos testes de materiais por amostragem”, destaca o diretor executivo de Construção da Tegra, Fabio Barros.

Após constatar que o uso do cimento gerava uma economia de 5% na utilização do aço, a Trisul S.A. também aprovou o uso do Spectra. “O resultado obtido com a linha de concreto nos possibilitou reduzir a espessura da laje e, consequentemente, a quantidade de material usada”, informa o diretor Técnico, Roberto Pastor Júnior.

Não é de agora que a companhia tem adotado práticas e materiais de construção com foco na redução de impactos ambientais. Há cerca de uma década, foi iniciada a substituição de alvenaria por drywall para paredes internas, que economiza 100% de água. Hoje, todas as divisões internas são feitas com esse material.

Além disso, várias fachadas dos prédios da Trisul têm empregado EIFS (external insulation finish system), material de revestimento de fachada que reduz o uso de argamassa, gera menos resíduo e não utiliza água; ou a fachada de concreto industrializado, que diminui resíduos e desperdícios nos canteiros de obra. Pastor Júnior adianta que a empresa busca ainda uma solução ecológica para substituir os azulejos. “Dependemos do que a tecnologia é capaz de produzir e da viabilidade de custos, mas estamos procurando um caminho mais sustentável”, afirma.

A área interna de inovação da Even Construtora e Incorporadora, que faz análises de sustentabilidade, qualidade e viabilidade financeira para as tomadas de decisão, aprovou o uso do cimento CPV da Intercement, que tem se mostrado superior até mesmo ao CPIII, que já tem uma pegada de carbono reduzida em 22%.

Uma opção que ainda está incipiente no Brasil, mas que pode ser alternativa ao concreto, é a madeira engenheirada. A Urbem, novo braço da Amata no Paraná, será a primeira a produzir o material em larga escala no Brasil. Com foco nas incorporadoras e construtoras, a fábrica terá capacidade de produzir cem mil metros cúbicos anuais, que equivalem a 500 mil metros quadrados de área construída.

“Sabemos do interesse do setor por alternativas sustentáveis e investimos para atender a construções de grande porte, já que a madeira engenheirada é sólida e pode ser usada inclusive em prédios de muitos andares”, afirma Ana Bastos, CEO da Urbem. Com início de operação previsto para o segundo semestre, a nova empresa já tem parceria fechada com a construtech Cubicset, especializada em construções modulares.

Fonte: Valor Econômico