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A aposta da Tenda para revolucionar o mercado de moradia popular no interior do país

Construtora acaba de investir na compra de uma fábrica de wood frame — peças de madeira que se encaixam para montar casas

O setor de construção civil é um dos que mais polui o meio-ambiente no mundo, mas a Tenda encontrou uma alternativa para compensar isso. A construtora, que tem atuação nacional e é focada na baixa renda, acaba de investir na compra de uma fábrica de wood frame — peças de madeira que se encaixam para montar casas.

O objetivo é produzir até 2026 cerca de 10.000 unidades por ano de casas de madeira pré-fabricadas em uma unidade de produção importada da Europa que será erguida no interior de São Paulo. As peças serão produzidas ali e espalhadas em projetos da companhia no interior do país.

“Nós visitamos vários lugares no mundo antes da pandemia para ver o modelo de wood frame. A qualidade do produto é ótima. São casas bonitas, que não dão rachaduras. É um modelo amplamente utilizado no exterior, nos Estados Unidos e Europa. E aqui no Brasil a produção off-site em escala funciona. Tem demanda para isso”, disse Renan Sanches, CFO e diretor de relações com investidores da Tenda, em live do InfoMoney na segunda-feira (23).

A entrevista faz parte do projeto Por Dentro dos Resultados, no qual CEOs e outros executivos importantes de empresas da Bolsa comentam os balanços do quarto trimestre de 2020 e o desempenho anual das companhias, e falam também sobre perspectivas.

O investimento no negócio de wood frame, segundo o executivo, é entre R$ 300 milhões e R$ 400 milhões nos próximos anos — e o retorno deve começar a surgir em 2024 e 2025, quando os primeiros lançamentos de casas de wood frame do grupo começarem a sair. “É um projeto que terá muita demanda no interior. Nas grandes cidades, nosso foco continuará em apartamentos acessíveis”, explicou.

Alvaro Kauê, gerente de RI da Tenda, lembrou que a companhia tem compromissos ESG a cumprir e que a madeira é uma ótima opção. “É um material de excelente qualidade e ela sequestra gás carbônico do meio-ambiente em vez de produzir”, enfatizou.

 

Os executivos falaram ainda sobre o impacto da pandemia de Covid-19 nas operações em 2020, continuidade das vendas mesmo que de forma online, e mantendo baixas despesas de vendas (6,9%) no período.

“Nós temos o menor preço do setor entre as empresas de capital aberto”, afirmou o CFO. Ele explicou que a companhia mantém os preços mais baixos, apesar do aumento no custo com materiais, para ganhar market share. “Prejudicamos um pouco nossa margem com isso, mas estamos focados em ganhar mercado, por enquanto”, completou. O market share da Tenda hoje é de pouco mais de 5%.

Sanches e Kauê comentaram sobre a perda de 2,8 pontos percentuais na margem de 2020, sobre a geração de R$ 70 milhões de caixa no ano passado, sobre o estoque de oito meses que a companhia possui e a expectativa de retomar o crescimento ao longo de 2021.

Ambos falaram ainda sobre o endividamento — hoje, o caixa da empresa supera sua dívida (uma relação percentual de -9,8%, sendo que a meta da Tenda é manter esse número entre -10% e +10%, ou seja, há espaço para se alavancar). Eles comentaram que o perfil da dívida da Tenda sobre foi de longo prazo, mas que ano passado não foi possível alongar dívida — processo que deve ocorrer neste ano.

Os executivos descartaram a hipótese de venda da companhia para algum concorrente e também descartaram a possibilidade de a empresa passar a atuar no segmento voltado às classes média e média alta. Eles comentaram ainda sobre o aumento da concorrência e as iniciativas de outras construtoras para o segmento de baixa renda, além do baixo impacto do aumento recente da Selic sobre as operações do grupo.

Publicado no portal InfoMoney


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