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Queda da taxa de juros impulsiona retomada da construção civil

Estudo produzido pela Abrainc sobre os impactos da queda dos juros para o setor da incorporação é destaque no Jornal Nacional

A redução da taxa de juros no Brasil tem sido fundamental na retomada do setor da construção civil.

Numa mesma avenida da Zona Oeste de São Paulo, 11 empreendimentos novos. No terceiro trimestre, o número de lançamentos de imóveis residenciais cresceu 23% no país. As vendas subiram 15% sobre o mesmo período de 2018. Foram mais de 30 mil unidades.

A reação do setor, que começou em São Paulo, está se disseminando aos poucos. Belém, Salvador e Goiânia tiveram aumento nas vendas e nos lançamentos. No Rio, em Belo Horizonte e em Curitiba as vendas ainda estão devagar, mas o número de lançamentos subiu.

A queda dos juros tem sido fundamental para a recuperação, diz a Associação Brasileira das Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), que calculou: cada ponto percentual a menos na taxa pode atrair dois milhões de famílias para o financiamento imobiliário.

“Porque, no longo tempo do financiamento, 20, 30 anos, a prestação cai bastante, então, aumenta o número de pessoas que têm capacidade de renda para comprar imóvel”, explicou Antonio Setin, conselheiro da Abrainc.

Mais da metade dos imóveis lançados no país tem dois quartos, como um de 55 metros quadrados, que acaba de ficar pronto. Esse perfil de imóvel tem a ver com o tamanho das famílias, cada vez menores, e também com o bolso.

O técnico de enfermagem Murilo dos Santos Marques comprou um ainda menor, de 28 metros quadrados. Deu o FGTS de entrada e financiou o restante em 30 anos, com parcela inicial de R$ 900.

“Deu para pagar e não ficar tão pesado. Primeiro imóvel, né? Próprio, assim comprando com meu trabalho, meu suor. Então é sempre muito gratificante”.

A maioria dos imóveis, como o dele, foi financiada com recursos do Minha Casa Minha Vida, para famílias com renda mensal de até R$ 7 mil.

Numa construtora, o lançamento de apartamentos desse perfil aumentou 40% em 2019.

“Hoje, com R$ 1.800 a R$ 2 mil de renda familiar, tendo três anos de FGTS, compra com facilidade o apartamento. O cliente tendo o mínimo de poupança, de organização financeira, consegue comprar com tranquilidade”, explicou a gerente-geral de vendas, Marcia Verrone.

Mas, com a procura em alta, os preços subiram em nove de dez capitais pesquisadas pela Associação de Crédito Imobiliário. A maior alta foi em São Paulo, 4,3%, seguido de Curitiba e Porto Alegre. No Rio, os preços ficaram estáveis.

“A gente acha que não vai ter grandes problemas de aumento de preço, vai ter, mas nada de muito forte porque a oferta de recursos está atendendo à demanda”, disse o presidente da Câmara Brasileira Indústria da Construção, José Carlos Martins.

Qualquer que seja o valor, a orientação é nunca comprometer mais de 30% da renda com as prestações.

“Precisa fazer as contas para não se enrolar também. E juntar aquele dinheirinho ali. Não desanimar”, orienta Murilo.

Fonte: TV Globo – Jornal Nacional