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Abrainc completa um ano e lança estudo com dados inéditos sobre mercado imobiliário

Segundo pesquisa, empresas de edificação e incorporação foram responsáveis por 25% de toda a cadeia do setor, ou 37%

Segundo pesquisa, empresas de edificação e incorporação foram responsáveis por 25% de toda a cadeia do setor, ou 37% da produção resultante das empresas

Durante evento que marcou seu primeiro ano de fundação, a Abrainc (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias) apresentou nesta quinta-feira (5) o estudo “Estimativa dos Impactos dos Investimentos em Habitação sobre a Economia no Brasil”, que traz números inéditos sobre o setor da construção civil, consolidados pela FGV (Fundação Getúlio Vargas). O encontro, organizado no Hotel Sheraton WTC, em São Paulo, reuniu cerca de 150 pessoas, entre líderes do setor, representantes do governo e a imprensa.

Segundo o levantamento, apresentado no evento Crescimento e Equilíbrio por Ana Maria Castelo, superintendente de estatísticas públicas da FGV, o setor da construção civil representou, em 2011, a maior parcela do valor agregado – R$ 204,1 bi ou 65% de toda a cadeia produtiva. No mesmo ano, o VA gerado pelas empresas de construção chegou a R$ 134,9 bilhões (66% do total da construção); as empresas de edificações e incorporação representaram 37% do VA gerado pelas companhias, o que equivale a 25% do VA de toda a cadeia do setor da construção.

A pesquisa também indica a contribuição desse mercado para o PIB brasileiro: o valor adicionado pela cadeia produtiva da construção civil – que envolve construção civil, indústria e comércio de materiais de construção, indústria de equipamentos e serviços – somou R$ 314,8 bilhões em 2011, o que representou 8,9% do PIB. Números do IBGE mostram que, entre 2008 e 2012, enquanto o PIB brasileiro cresceu aproximadamente 17%, o valor adicionado da construção aumentou quase 26%. No mesmo período, o VA da indústria de transformação registrou elevação de apenas 1%.

Os dados da FGV comprovam a relevância do setor para o crescimento econômico, a renda e a geração de empregos no Brasil. O levantamento também demonstra como a desoneração tributária é fundamental para o setor da construção civil”, afirma Renato Ventura, diretor-executivo da Abrainc.

Renda e empregos

Em relação ao impacto dos investimentos do setor sobre a renda, entre 2007 e 2011 foram investidos aproximadamente R$ 404 bilhões no segmento de edificações e incorporações, que geraram no próprio setor uma renda de aproximadamente R$ 202 bilhões – renda média de R$ 40,5 bi por ano. Na economia como um todo, em vários setores, os investimentos resultaram em mais de R$ 157,5 bi em renda (R$ 31,5 bi ao ano). O efeito total dos investimentos do segmento de edificações e incorporação sobre a renda do País foi, portanto, de R$ 359,72 bi (R$ 72 bi ao ano).

A construção civil foi responsável também pelo maior número de ocupados na cadeia: 9,2 milhões, ou 74,1% do total de trabalhadores; o número de pessoas ocupadas pelo setor da construção subiu de 6,2 milhões em 2007 para 9,2 milhões em 2011 (aumento de 48%); o segmento edificações e incorporações gerou 529,5 mil postos de trabalho – o equivalente a 41% das vagas geradas pelo setor- e estão entre os que apresentaram as maiores taxas médias anuais de crescimento entre 2008 e 2011 (16,04% e 11,15% respectivamente).

Burocracia

Na ocasião, também foi apresentado o estudo “O custo da burocracia no imóvel” por Nelson Gramacho, Diretor da Booz&Co. O levantamento, feito em parceria com a CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção) e o MBC (Movimento Brasil Competitivo), aponta que o excesso de burocracia no processo para a construção e aquisição da casa própria no Brasil aumenta em 12% o valor final do imóvel para o proprietário. Isso equivale a R$ 18 bilhões por ano, considerando-se a média de unidades novas entregues anualmente.

O material apresenta sugestões do setor para ampliar a eficiência da incorporação de empreendimentos e estudos de caso com modelos de fluxos ideais. Os principais problemas constatados pelo estudo são: atraso na aprovação dos projetos pelas prefeituras, falta de padronização dos cartórios e falta de clareza nas avaliações das licenças ambientais. Além disso, é frequente ocorrer mudanças de leis que atingem obras já iniciadas, como alterações nos planos diretores e de zoneamento, por exemplo. O levantamento identifica 18 grandes entraves na construção de imóveis no país.

O evento teve ainda a palestra de José Urbano Duarte, Vice-Presidente de Habitação da Caixa Econômica Federal, sobre “Expansão Imobiliária – Como progredir de forma adequada?”, e do economista Ricardo Amorim a respeito do tema “Crescimento: Superando desafios e buscando o equilíbrio”.

Tributos e carga tributária

Ainda segundo o estudo da FGV, a alta carga tributária e a transitoriedade das medidas adotadas para desonerar a cadeia de construção geram incerteza. O risco de aumento na tributação tem impacto negativo e desestimula o investimento.

A pesquisa inclui também simulações que estimam os impactos sobre a economia brasileira decorrentes das desonerações de impostos incidentes na construção (ICMS, INSS, PIS/PASEP, COFINS e IPI). A principal base de dados usada para as simulações é a matriz insumo-produto de 2009, elaborada pelo IBGE. A metodologia permite calcular os impactos econômicos diretos (dentro da própria construção) e indiretos (nas demais atividades produtivas) sobre a renda, o emprego e os tributos, a inflação e as exportações.

SOBRE A ABRAINC

A ABRAINC – Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias constituída em 2013, reúne atualmente 21 companhias de capital aberto e/ou presença nacional. Seu objetivo é levar mais eficiência em gestão, qualidade e desenvolvimento para todo o ciclo da incorporação imobiliária.

A Associação também representa as grandes incorporadoras em questões como crescimento urbano, alternativas de captação de recursos de longo prazo, produtividade e mão de obra e desenvolvimento com sustentabilidade.

A ABRAINC é formada pela Brookfield Incorporações, Cury, Cyrela, Direcional, Emccamp, Even, Eztec, Gafisa, HM, JHS-F, João Fortes, Moura Dubeux, MRV Engenharia, Odebrecht Realizações Imobiliárias, PDG Realty, Rodobens, Rossi, Tecnisa, Tenda, Trisul, WTorre e Viver.

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