Crédito Imobiliário

Crédito imobiliário cresce 57,5% em 2020 e atinge recorde de R$ 123,9 bi

Depois de cair no início da pandemia, a demanda por financiamentos teve forte recuperação a partir de junho, impulsionada pelas taxas baixas de juros

Os financiamentos para a compra e a construção de imóveis em 2020 somaram R$ 123,9 bilhões, crescimento de 57,5% na comparação com 2019, de acordo com dados divulgados nesta quarta-feira (27) pela Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip).

O resultado foi o maior da história, superando o montante de R$ 112,9 bilhões visto em 2014, último ano do ciclo de “boom” imobiliário.

No mês de dezembro, os empréstimos foram de R$ 17,4 bilhões, alta de 26,2% em relação a novembro e avanço de 101,6% frente ao mesmo mês do ano anterior. O desempenho de dezembro representa o maior volume nominal mensal registrado desde julho de 1994, quando foi lançado o Plano Real.

Os números consideram apenas os financiamentos com recursos originados nas cadernetas de poupança. Não entram aí, por exemplo, os financiamentos com recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), que abastecem o programa Casa Verde e Amarela, que substituiu o Minha Casa Minha Vida.

Em decorrência da pandemia, a demanda de crédito imobiliário chegou a cair por alguns meses, mas iniciou uma forte recuperação a partir de junho, com ganho de força ao longo do segundo semestre, impulsionada pela taxas baixas de juros.

A expansão do crédito imobiliário em 2020 foi puxada, principalmente, pela liberação de financiamentos para a pessoa física fazer a compra de moradias. O crédito para aquisição de imóveis subiu 60% em 2020 ante 2019, para R$ 93,9 bilhões. O montante foi o maior já registrado pelo setor. Deste total, R$ 66,5 bilhões foram para a compra de residências usadas, enquanto R$ 27,5 bilhões para novas unidades.

Já os empréstimos destinados à empresas, para a construção de empreendimentos, cresceram 50% no mesmo período e totalizaram R$ 30,1 bilhões. Esse valor, entretanto, não foi um recorde para o setor, que atingiu o pico em 2011 (R$ 35,2 bilhões) e 2013 (R$ 32,2 bilhões), anos que são lembrados como “boom” da construção.

Em termos de número de unidades compradas e construídas, a pesquisa apontou que foram financiados 426,8 mil imóveis em 2020, resultado 43,2% superior ao de 2019, quando foram 298 mil.

No mês de dezembro, o crédito atendeu 55,9 mil imóveis, resultado 20,9% superior ao de novembro e 76,6% maior do que no mesmo mês do ano anterior.

Fonte: Estadão