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Mercado imobiliário pós-pandemia: o que esperar do setor nos próximos meses

Alguns fatores podem contribuir para que o setor se recupere dos impactos da crise rapidamente

Ainda não é possível mensurar quais serão os impactos da pandemia do novo coronavírus na economia brasileira e no mercado imobiliário no país. Entretanto, uma coisa já é certa: a crise desacelerou uma série de expectativas positivas. No ano passado, o Produto Interno Bruto (PIB) da construção civil cresceu 1,6% na comparação anual, resultado positivo que interrompeu um período de cinco anos de retrações. Por outro lado, no primeiro trimestre deste ano, o setor já registrou queda de 2,4% em relação aos três meses anteriores. A mesma quebra de otimismo ocorreu nas vendas de imóveis. Entre março e maio deste ano, o número de propriedades vendidas diminuiu 1,2% na comparação anual, mesmo após um bom desempenho do setor no ano passado.

Apesar do clima pessimista dos dados, é fundamental considerar que a crise fez com que toda a economia do país, e não somente o setor imobiliário, puxasse o freio de mão. De acordo com o presidente da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), Luiz Antonio França, uma série de outros indicadores reforçam que ainda é possível esperar uma retomada rápida do segmento após a pandemia.

Novos empreendimentos

Segundo o executivo, somente a cidade de São Paulo concedeu 161 alvarás para novos empreendimentos verticais no segundo trimestre de 2020. O número indica alta de 13,4% em comparação ao mesmo período de 2019.

“Após a abertura dos estandes, a capital paulista movimentou R$ 1,3 bilhão em vendas de imóveis ao longo dos primeiros 40 dias, com mais de 3.709 unidades comercializadas”, explicou Luiz França.

Redução da taxa básica de juros

Além disso, também é importante considerar outro fator ao analisar o desempenho do setor: a taxa básica de juros do Brasil, denominada taxa Selic. Na semana passada, o Comitê de Política Monetária do Banco Central reduziu a Selic para 2% ao ano. Isso significa que os juros do país nunca estiveram tão baixos. Ou seja, os juros cobrados em financiamentos, empréstimos e cartão de crédito, por exemplo, também estão ainda menores. Consequentemente, pode-se esperar um estímulo do consumo.

Segundo a especialista em mercado imobiliário e diretora da Ética Soluções Imobiliárias, Yslanda Barros, a redução dos juros também ajudou a manter o segmento aquecido. “Em relação a compra e venda de imóveis até houve um certo adiamento por parte de alguns compradores, mas não uma desistência. A taxa Selic mais baixa da história ajudou a manter o mercado imobiliário aquecido. Estamos assistindo grandes lançamentos imobiliários, isso é um sinal de que esse momento de crise mundial também cria oportunidades para gerar ótimos negócios”, comentou a especialista.

A queda da taxa de juros também está diretamente relacionada com a diminuição dos rendimentos dos títulos de renda fixa, como a poupança ou o Tesouro Selic, por exemplo. Por conta disso, os investidores também podem ganhar um papel importante para ajudar a manter o mercado imobiliário com bons resultados. Segundo Luiz França, agora os imóveis podem ganhar destaque como opção de investimento para aluguel. Isso porque, segundo um estudo realizado pela Abrainc, os investimentos em imóveis renderam, em média, 15,3% ao ano entre 2009 a 2019, considerando o retorno médio do aluguel e a valorização dos imóveis.

Nova relação das pessoas com os imóveis

Outra coisa que não dá para negar é que a pandemia fez com que as pessoas criassem uma nova relação com os lares. Ao passar mais tempo em casa, parte da sociedade passou a buscar ambientes mais adaptados às suas necessidades, o que pode refletir no processo de compra e venda no futuro. Conforme uma pesquisa realizada pela agência de inteligência imobiliária DataZAP, é possível esperar que, após a pandemia, os consumidores busquem imóveis com espaços para lazer e para animais domésticos, como um jardim ou uma varanda. Ademais, 32% dos entrevistados afirmaram que será muito importante ter um ambiente destinado exclusivamente para home office.

No entanto, de acordo com Luiz França, ainda é preciso ter cautela ao considerar se, de fato, estas novas demandas se tornarão tendências.

“Acho que esse movimento ainda é incipiente e somente mais adiante saberemos se veio para ficar ou se é passageiro, agora que a maioria foi obrigada a ficar mais tempo dentro de casa e criou uma nova relação com os imóveis”, comentou o executivo.

Fonte: Casa Vogue