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Medidas da Caixa estimulam decisão de compra de imóveis, avalia Abrainc

Para presidente de associação de incorporadoras, todos os mercados — baixa renda e segmento médio e alto — serão estimulados

As medidas anunciadas nesta quinta-feira pela Caixa Econômica Federal estimulam a decisão de compra de imóveis, na avaliação do presidente da Associação Brasileira das Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), Luiz Antonio França.

“Todos os mercados — baixa renda e segmento médio e alto — serão estimulados”, disse França ao Valor. As novas linhas do banco público para este pacote somam R$ 43 bilhões. As medidas entram em vigor a partir de segunda-feira.

“Trata-se de um pacote técnico, com medidas concretas. Espero que os bancos privados também olhem para o setor, que oferece um bom grau de garantia das operações”, diz França.

A Caixa divulgou nesta quinta-feira (9) que pessoas físicas e incorporadoras terão 180 dias de carência para pagamento do financiamento referente a novos empreendimentos. Outra medida direcionada às empresas é a possibilidade de antecipação de três parcelas futuras de desembolso do empréstimo à produção em relação ao cronograma de obras previsto. Tradicionalmente, o crédito às incorporadoras é desembolsado conforme o avanço da construção. O banco público passa a oferecer também a possibilidade de antecipação de até 20% dos recursos para as incorporadoras no início das obras.

No entendimento de França, no caso dos imóveis de baixa renda, as medidas beneficiam tanto compradores de unidades novas prontas quanto em construção, pois o repasse dos recebíveis dos clientes do segmento para a Caixa é feito na planta. Na faixa de médio e alto padrão, o alcance se limita a imóveis novos prontos, de acordo com o presidente da Abrainc, pois o crédito bancário ao compradores ocorre quando a carteira de consumidores é repassada pela incorporadora no momento da entrega das chaves.

Quem já tem financiamento em curso com a Caixa passa a ter a opção de, por 90 dias, realizar pagamento parcial ou suspender o desembolso das parcelas. “Isso reduz o risco de inadimplência em função da crise”, diz França.

Desde 20 de março, incorporadoras deixaram de fazer lançamentos na capital paulista, maior mercado imobiliário do país, devido à interrupção do acesso ao público nos estabelecimentos comerciais, por decreto do prefeito Bruno Covas. A apresentação de novos projetos se tornou mais desafiadora também porque a Prefeitura de São Paulo suspendeu concessão de licenças. Incorporadoras têm reforçado suas equipes de venda online, mas a comercialização de imóveis sem visitação, principalmente daqueles dos padrões médio e alto, é considerada bastante desafiadora. Na avaliação do presidente da Abrainc, as medidas anunciadas pela Caixa combinadas aos esforços de venda online contribuirão para incentivar as aquisições de unidades pelos consumidores.

Fonte: Valor Econômico